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Ceará

Homem ganha 14,7% a mais que mulher no CE


A renda das mulheres equivale a 76% da renda dos homens e elas continuam sem as mesmas oportunidades de assumir cargos de chefia. (Foto: Melquíades Jr.)


O crescimento econômico do Brasil na última década não se refletiu em mais igualdade no mercado de trabalho. Antes mesmo dos efeitos da crise econômica abater o País, as mulheres brasileiras continuavam trabalhando mais - cinco horas a mais, em média - e recebendo menos.

No Ceará, em 2015, os homens (R$ 1.217) ganhavam 5,5% acima da média estadual (R$ 1.153) e 14,70% mais que as mulheres (R$ 1.061), segundo a Síntese de Indicadores Sociais (SIS), divulgada ontem pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Quando a área investigada é a Região Metropolitana de Fortaleza (RMF), a diferença entre a média salarial masculina (R$ 1.503) e feminina (R$ 1.242) é ainda maior: 21,01%.

Nacionalmente, a renda das mulheres equivale a 76% da renda dos homens e elas continuam sem as mesmas oportunidades de assumir cargos de chefia. A dupla jornada também segue afastando muitas delas do mercado de trabalho, apesar de elas serem responsáveis pelo sustento de quatro em cada dez casas.

Jornada maior

As mulheres tendem a receber menos que os homens porque trabalham seis horas a menos por semana em sua ocupação remunerada. Porém, como dedicam duas vezes mais tempo que eles às atividades domésticas, trabalham, no total, cinco horas a mais. Ao todo, a jornada das mulheres é de 55,1 horas por semana, contra 50,5 horas deles. Segundo a pesquisadora do IBGE, Cristiane Soares, os homens continuam se esquivando de tarefas da casa, o que se reflete em mais horas na conta delas.

"Na década, a jornada masculina com os afazeres domésticos permanece em 10 horas semanais", destacou. Mesmo trabalhando mais horas, as mulheres têm renda menor, de 76% da remuneração dos homens. Esse número era de 71% em 2005 e reflete o fato de mulheres ganharem menos no emprego e também por não serem escolhidas para cargos de chefia e direção.

Dos homens com mais de 25 anos, 6,2% ocupavam essas posições, contra 4,7% das mulheres com a mesma idade. Porém, mesmo nesses cargos, fazendo a mesma coisa, o salário delas era 68% do deles. Apesar deste cenário, a pesquisa mostra que cresce o número de mulheres chefes de família. Considerando todos os arranjos familiares, elas são a pessoa de referência de 40% das casas. Entre aqueles arranjos formados por casais com filhos, uma em cada quatro casas é sustentada por mulheres. O percentual de homens morando sozinho com filhos é mínimo.

Rendimento médio

A diferença salarial entre homens e mulheres permanece em queda no País, mas ainda há grande espaço para aproximação, principalmente em cargos de chefia. Em 2015, o rendimento médio real do trabalhador brasileiro foi de R$ 2.012. Já a trabalhadora recebeu, em média, R$ 1.522. Apesar da evolução de 38,2% no rendimento das mulheres em dez anos, o valor observado em 2015 ainda é menor do que os R$ 1.552 que os homens ganhavam em 2005.

Desigualdade

Há também um indicador de desigualdade entre as próprias mulheres: aquelas que têm emprego informal ganham apenas 49% das que trabalham com carteira assinada. No caso dos homens, a razão é de 55%, de acordo com os dados revelados pelo IBGE na manhã de ontem.

"As desigualdades entre homens e mulheres no mercado de trabalho podem ser analisadas também sob outras duas óticas: a diferenciação das jornadas de trabalho e a ocupação de cargos de chefia ou direção", ressalta o Instituto. No primeiro caso, as mulheres tendem a ter uma jornada semanal menor do que 40 horas semanais, o que indica maior informalidade.

De acordo com a pesquisa, a jornada média das mulheres foi de 34,9 horas por semana em 2015, enquanto a dos homens foi de 40,08 horas. Ainda assim, as mulheres têm uma jornada total maior, de 55,1 horas por semana, considerando os afazeres domésticos. Para os homens, a jornada média total é de 50,5 horas semanais.

No caso da ocupação de cargos de chefia, do total de cargos ocupados por homens de 25 anos ou mais no Brasil, 6,2% são de gerência ou direção. Já no caso das mulheres, a proporção é de 4,7%.

Fonte: Diário do Nordeste

Fagner Soares

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