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Costumes e tradições da Semana Santa passam por transformações


Católica fervorosa Rita Raimunda, 69 anos, segue costumes e tradições durante semana santa (Foto: Ronuery Rodrigues/Agência Miséria)


A Semana Santa é uma tradição religiosa católica que celebra os passos e sofrimentos de Jesus Cristo em sua Paixão, Morte e ressurreição. Tem início no Domingo de Ramos, este ano celebrado em 09 de abril, e relembra a entrada triunfal de Jesus em Jerusalém, terminando com a ressurreição, no domingo de Páscoa. As celebrações litúrgicas para esse tempo existentes há muitos anos se aplicam em toda a igreja. Mas ações como procissão do Encontro, na Quarta-feira Santa, Procissão do Fogaréu, conhecida também como Noite da Prisão, Procissão do Senhor Morto e Malhação do Judas no Sábado de Aleluia, são algumas outras atividades realizadas em paróquias e nas comunidades para marcar o momento religioso.

Mas é na religiosidade popular que os fiéis também criam suas próprias formas de celebrarem esse tempo. Todavia, as tradições e costumes tem passado por transformações significativas. Por exemplo, algumas famílias cristãs católicas há o costume cobrir as imagens de santos com tecido ou toalha e só o retira-se o tecido no domingo de páscoa, costume que tem sido pouco usado. Outro costume que vem perdendo força, é o ato de afilhados visitarem seus padrinhos na sexta-feira da paixão, a fim de pedir a benção.

Rita Raimunda, 69 anos, segue a tradição de cobrir as imagens de santos de sua casa durante a semana santa desde jovem. Ela conta que essa tradição vem desde de os seus avós, mas lamenta o desaparecimento dessa lembrança. O jejum, recomendação da Igreja, durante a semana santa também vem sofrendo transformações, Dona Rita observa essas mudanças “Na semana Santa, é o sofrimento de Nosso Senhor, é pra ter tristeza, pra ter penitência, ninguém tá comendo essas comidas assim, mas é a semana que o pessoal come mais, hoje em dia né todo mundo que faz jejum é difícil, né? ”, indaga.

Destradicionalização e Consumo
Antropóloga e professora universitária, Renata Marinho, explica que as tradições de uma forma geral, sobretudo as religiosas, vêm sofrendo transformações, isso não se trata especificamente das tradições da Semana Santa. O próprio mundo contemporâneo, e a chamada pós-modernidade, traz uma série de aspectos que impactam nesses costumes. Segundo ela, o que se observa hoje no cenário religioso, é um processo de destradicionalização, associado a um procedimento de desinstitucionalização no campo religioso.

A Desinstitucionalização é percebida através dos censos, com o crescente do número de pessoas que afirmam acreditar em Deus, e que tenham vivido algumas experiências religiosas, mas não se vinculam a nenhuma tradição religiosa específica. E a religião que mais tem sentido esse impacto é Catolicismo.  “Por essas pessoas não terem uma vinculação institucional, há um impacto na manutenção, ou não dessas tradições[destradicionalização], o não repasse dessas tradições para gerações posteriores, ou repasse com as modificações, porque sabemos que a cultura tem uma característica fundamental que é dinâmica, e essas tradições, os costumes estão sempre num processo de transformação contínua”, comenta.

Renata Marinho destaca o caráter consumista da sociedade, marcada pelas intensas relações de consumo. “Então páscoa hoje em dia é “coelho da páscoa”, é “Ovo de páscoa”, é aquilo que eu vou comprar para consumir com a minha família, ou com meu grupo de amigos nesse feriado “comenta.  A professora finaliza observando que o que acontece na páscoa pode estar associado ao que acontece também no Natal, a mercantilização e a ênfase no consumo.


Por Ronuery Rodrigues
Miséria.com.br

Fagner Soares

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