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Economia e Negócios

Risco político mantém pressão sobre nota de crédito do Brasil, diz S&P

Apesar de já ter sua nota de crédito (rating) rebaixada para grau especulativo, o Brasil corre o risco de sofrer novos rebaixamentos por causa do cenário político, disse a agência de classificação de risco Standard & Poor's.

Em relatório publicado nesta sexta-feira (14) sobre as condições de crédito na América Latina, a agência afirma que a política doméstica continua sendo um "risco-chave" para um novo rebaixamento da nota brasileira.

O documento foi divulgado na mesma semana em que o ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin determinou a abertura de inquérito contra quase 100 políticos, sendo oito ministros do governo de Michel Temer, 24 senadores e 42 deputados federais. A investigação deriva da delação premiada de executivos da Odebrecht, no âmbito da Operação Lava Jato.
A revelação dos nomes causou apreensão no mercado financeiro, que teme que as reformas fiscais sejam prejudicadas.

FATORES NEGATIVOS

No relatório, a S&P mostra um gráfico em que os fatores negativos para o rating do Brasil estão numa faixa entre 70% e 80%, enquanto os positivos não chegam a 10%.
No documento, a agência revela que em 2016 houve 142 rebaixamentos de nota de crédito na América Latina, corporativos e soberanos, contra 39 elevações de rating. Em 2017 até o momento, as elevações na região chegam a oito, contra três rebaixamentos.
Neste ano, não houve rebaixamentos de rating no Brasil, contra mais de 90 no ano passado.

"Esperamos que a pressão por rebaixamentos continue na América Latina, com um viés negativo de 46%, comparada com a média de 17% em dez anos", diz a agência.
Entretanto, a S&P pondera que "a condições de financiamento na América Latina parecem melhores em 2017 até o momento, mas elas podem se deteriorar com riscos relacionados à instabilidade geopolítica, retração dos preços do petróleo e aumento significativo no protecionismo de parte dos parceiros comerciais."

GRAU ESPECULATIVO

Em fevereiro, a S&P manteve a nota de crédito do Brasil em grau especulativo e reafirmou a perspectiva negativa, o que significa que o país pode ter o rating rebaixado nos próximos meses.

A nota de crédito do Brasil foi mantida em "BB", dois degraus abaixo do nível de investimento. A agência disse, na ocasião, que havia pelo menos um terço de chance de rebaixamento da nota do Brasil ainda neste ano, caso as medidas para melhorar a situação fiscal e econômica do país não passem no Congresso.
Entre as medidas, a agência cita a reforma da Previdência, que diz ser necessária para a implementação do teto dos gastos públicos.

Com informações da Folhapress.
 

Fagner Soares

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