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Oposição venezuelana volta às ruas contra constituinte de Maduro


Membros da Guarda Nacional Venezuelana se protegem com escudos durante um protesto da oposição contra o presidente Nicolas Maduro em Caracas, na Venezuela, nesta terça (Foto: Reprodução)


A oposição venezuelana promete novamente sair às ruas nesta quarta-feira (3), desta vez para protestar contra a convocação do presidente Nicolás Maduro de uma Assembleia Constituinte, considerada por ela uma "fraude" para evitar eleições e se reforçar no poder.

Três pessoas morreram na terça-feira (2) durante protestos em Carabobo, no centro da Venezuela, onde também foram registrados saques e danos a alguns imóveis, segundo informações divulgadas pelas autoridades através das redes sociais.

O Ministério Público disse através do Twitter que investigará a morte de Yonathan Quintero, um jovem de 21 anos, ocorrida na "noite de terça-feira, na avenida Villa Florida" na cidade de Valencia, capital de Carabobo, durante uma "situação irregular". O órgão não deu mais detalhes sobre este caso.

Por sua vez, o diretor da Defesa Civil, Jorge Galindo, afirmou que um ônibus colidiu ao "tentar desviar de uma barricada" na estrada Puerto Cabello-Valencia, e que este acidente culminou com a morte de duas pessoas e deixou dez feridas, que foram levadas para um hospital da região.

Também através do Twitter, Galindo mostrou fotografias do local com os obstáculos na via que, segundo ele, causaram o acidente.

Ruas fechadas

Centenas de opositores em Caracas e várias cidades do país fecharam ruas e avenidas em protesto pela convocação do presidente Nicolás Maduro para eleger uma Assembleia Nacional Constituinte com o objetivo de transformar o Estado venezuelano e reformular a lei.

Sob o lema "Contra a fraude constituinte", a liderança opositora convocou seus seguidores a se concentrar em uma estrada estratégica no leste de Caracas para posteriormente marchar rumo a um local que ainda não foi revelado.

"Todas as ditaduras caem. Esta pantomima que deseja convocar não pode tirar nossa maior força: o povo na rua", declarou Freddy Guevara, vice-presidente do Parlamento, único poder do Estado controlado pela oposição.

Assembleia

Pressionado após um mês de protestos opositores que exigiam eleições gerais, Maduro convocou na segunda-feira uma Assembleia Nacional Constituinte "popular", que deverá ter 500 membros eleitos por setores sociais e municípios.

"É uma fraude madurista. Como não podem vencer as eleições, querem impor o modelo eleitoral cubano para permanecer no poder", afirmou o líder da oposição Henrique Capriles, ao encorajar seus seguidores a protestar.

Nenhuma das marchas realizadas pela oposição desde 1º de abril conseguiu chegar ao centro de Caracas - onde se localizam as sedes dos poderes públicos - já que são bloqueadas e dispersadas com gás lacrimogêneo pelas forças de segurança.

Crise

Os protestos acontecem em meio a uma grave crise econômica que minou a popularidade de Maduro, cuja gestão é rejeitada, segundo pesquisas privadas, por mais de 70% dos venezuelanos, cansados da escassez de alimentos e medicamentos, da inflação mais alta do mundo e da criminalidade.

"A oposição decidiu ir para o extremismo. Hoje estão na fase de passar a uma insurgência armada e ante esta grave circunstância o único caminho para garantir a paz é uma Assembleia Nacional Constituinte", disse Maduro na noite de terça.

O líder socialista disse ter feito tudo pelo diálogo, mas os opositores "se negaram mil vezes". "Estendo a eles uma mão salvadora para que venham à Constituinte da paz", acrescentou.

Mas, para alguns analistas, a convocação de Maduro pode piorar o conflito, que já desperta grande preocupação na comunidade internacional.

Argentina, Chile e Estados Unidos consideraram que a Constituinte agravará a crise. O Brasil a classificou de "golpe" e Luis Almagro, secretário-geral da Organização dos Estados Americanos (OEA) - da qual a Venezuela iniciou sua saída - de "fraudulenta".

g1

Fagner Soares

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