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Centenário de Athos Bulcão; confira homenagens

Em Brasília, Athos Bulcão deixou alguns dos seus mais conhecidos azulejos. Na Igrejinha, no Itamaraty, no Congresso Nacional, na Catedral e até no aeroporto, os quadradinhos coloridos pintam a cidade modernista com os padrões característicos do artista.

 Azulejos de Athos Bulcão na Igrejinha Nossa Senhora de Fátima, na Asa Sul, em Brasília. Foto: Tony Winston

Pintor, escultor e desenhista, Athos nasceu no Rio de Janeiro em 1918 e morreu, em 2008, na capital federal – que ajudou a decorar. Nesta terça-feira (2), quando ele completaria 100 anos, o Google prestou homenagem à contribuição (que presta até hoje) para a história da arte brasileira.

Na página inicial do site de pesquisa, o nome "Google" aparece escrito em azulejos. Ao passar o cursor por cima da imagem, aparecem painéis de Athos: em amarelo, azul, preto, laranja. Todos eles instalados em alguma cidade do Brasil.

 Foto: Reprodução/Google

No Cariri também foi recentemente constatada a autoria de alguns de suas formas em azulejos. Através de fotografias realizadas pelo Prof. Dr. Pablo Manyé, da Universidade Regional do Cariri (URCA), foram oficializadas pela Fundação Athos Bulcão painéis em dois campi da universidade que contemplam a obra do artista, que foram implantados na gestão da ex-reitora Violeta Arraes.

 Painel em azulejos no campi do Curso de Direito da Universidade Regional do Cariri. Foto: Pablo Manyé

Histórico na fundação de Brasília

Foi na capital federal recém-construída que a Athos fez sua maior galeria de arte. Com monumentos, prédios públicos e espaços de grande circulação de pessoas revestidos com os azulejos do artista, Brasília se tornou uma galeria a céu aberto.

Na cidade do concreto, Athos se juntou a uma equipe de artistas que sustentam, juntos, o título de Patrimônio Cultural da Humanidade que Brasília recebeu da Unesco em 1997: Lucio Costa, Oscar Niemeyer, Burle Marx e Lelé (João Filgueiras Lima).

Fora do "quadradinho" e em outras formas de arte moderna, ele também fez amizade com Carlos Scliar, Jorge Amado, Pancetti, Enrico Bianco, Milton Dacosta, Vinicius de Moraes, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Ceschiatti e Manuel Bandeira.

 Versão preliminar do painel do Parque da Cidade, atualmente em branco e preto. Foto: Diego Bresani

Na página da Fundação Athos Bulcão, ele é descrito como "o artista de Brasília". Alguém cujas ideias foram materializadas em benefício do convívio de quem vivia na capital e, por isso, "carregam a consideração por esta cidade e seus habitantes".

Biografia

Athos Bulcão nasceu no Catete, no Rio de Janeiro, em 2 de julho de 1918 e passou a maior parte da infância em Teresópolis.

Antes de completar 5 anos, perdeu a mãe de enfisema pulmonar e acabou sendo criado pelo pai, Fortunato Bulcão, amigo e sócio de Monteiro Lobato. Em casa, dividia as tarefas com o irmão Jayme e as irmãs Mariazinha e Dalila. Athos era o caçula.

 Painel com azulejos de Athos Bulcão no Aeroporto JK, em Brasília. Foto: Lucas Nanini

O interesse pelas artes se manifestou desde cedo e foi estimulado pela irmãs, que o levavam constantemente ao teatro, à ópera e a espetáculos de companhias estrangeiras. Mesmo assim, acabou escolhendo a medicina como graduação.

O delírio não durou muito. Aos 21 anos, desistiu do curso para se dedicar às artes. Naquele ano, Athos foi apresentado a Portinari e se tornou um assistente. Os dois trabalharam juntos no painel São Francisco de Assis na Igreja da Pampulha, em Belo Horizonte.

A primeira exposição individual de Athos ocorreu cinco anos depois, em 1944, na inauguração da sede do Instituto dos Arquitetos do Brasil, na capital carioca.

Em seguida, foi morar em Paris, onde ficou até 1949. De volta ao Brasil, foi funcionário do Serviço de Documentação do Ministério da Educação e Cultura, onde trabalhou como desenhista e artista gráfico, fazendo ilustrações.

 Da esquerda para a direita: Marianne Peretti, Athos Bulcão, Alfredo Ceschiatti, Oscar Niemeyer, José Sarney e Burle Max. Foto: Marianne Peretti

A parceria com o arquiteto Oscar Niemeyer começou em 1955, quando Athos tinha 37 anos. Dois anos depois, ele integrava a força-tarefa que construía e decorava a nova capital. Não demorou mais que um ano para que ele resolvesse ficar.

Em 1958, Athos mudou-se para Brasília e aqui ficou até a morte, em 31 de julho de 2008. Na época, ele completava 17 anos de tratamento contra Parkinson no Hospital Sarah Kubitschek, quando teve uma parada cardiorrespiratória.


Fagner Soares

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