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Ídolo do Fortaleza, Geraldino Saravá lembra o passado tricolor e acredita no acesso



No dia 28 de maio de 1972, o Guarany de Sobral goleou o América, pelo Campeonato Cearense, com o placar de 4 a 0. Um jovem, no seu primeiro ano como jogador profissional, marcou dois gols na vitória e acabou chamando atenção dos clubes da capital. Com a confiança do técnico Damasceno, o Fortaleza acabou vencendo a disputa com o Ceará pelo ponta esquerda Geraldino, pagando 25 mil cruzeiros pelo atacante – maior transação do futebol cearense naquele ano.  
“Um moço simples e humilde, com muita vontade de acertar e, se possível, ser o goleador do campeonato, assim foi descrito por um jornal fortalezense o jovem José Geraldo Olímpio de Souza, o Geraldino Saravá, quando foi levado para o Fortaleza. Após sete anos com a camisa tricolor, o atacante se tornou um dos maiores ídolos do clube, além de ter registrado a marca de maior artilheiro dos estádios Castelão, na capital cearense, com 98 gols, e Romeirão, em Juazeiro do Norte, marcando 72 gols.  
Nascido em IpaumirimGeraldino se destacou na seleção de Cedro quando disputou um jogo amistoso contra a Seleção de Juazeiro do Norte. Seu irmão, o zagueiro Nena, e ele, foram contratados pelo Icasa, que disputava o campeonato da Liga Desportiva Juazeirense (LDJ), em campo de terra. A ascensão foi meteórica. De três anos no Verdão do Cariri, ainda clube amador, partiu para Sobral, em 1972, e, no ano seguinte, foi contratado pelo Fortaleza. Apesar de também ter passado pelo Ceará, Tiradentes e Ferroviário, sua história marcante foi mesmo com a camisa tricolor que, pelas suas contas, anotou 237 gols.  

Com os 6 mil cruzeiros recebidos de luvas pelo Fortaleza, em 1973, Geraldino Saravá comprou uma casa, em Juazeiro do Norte, que hoje tem valor estimado de R$ 200 mil. Da Terra do Padre Cícero, acompanha o tricolor a qual revela ter muita gratidão. “Jamais vou esquecer (o Fortaleza). A importância que teve na minha vida é muito grande. Deu condição de criar minha família. Até hoje vivo tranquilo. Devo tudo isso ao clube”, garante. 
Contudo, não deixa de ressaltar as alegrias que deu a torcida onde foi campeão cearense em 1973 e 1974, além de artilheiro da edição de 1978, registrando 28 gols. “Essa torcida vibrou muito comigo. Me sinto satisfeito de gostar e torcer pelo Fortaleza”, ressalta. 
Naquele mesmo ano que teve seu melhor desempenho dentro de campo, Saravá chegou a ser sondado pelo Flamengo, mas, na época, o presidente do Fortaleza, general Edmar Rabelo, não quis negociá-lo. “(Só aceito) de um milhão para cima. Menos que isso não abriremos diálogo”, declarou o dirigente na época. “Prefiro não ficar pensando nessa possibilidade. Não depende de mim e sim do Fortaleza. O que o clube fizer, está bem feito”, disse o ponta-esquerda, que se manteve no Pici e ainda hoje tem seu nome lembrado pelos torcedores.  
Com a camisa 11, Geraldino Saravá jogava de ponta-esquerda, já com a 9, assumia o faro por balançar as redes, como centroavante. Fez parte da dupla de ataque abastecida pelo “quadrado de ouro” do técnico Moésio Gomes, bi-campeão cearense em 1974. Inclusive, o ex-jogador lembra com saudosismo o time que venceu o Ceará três vezes seguidas, em menos de oito dias. “Na quarta, metemos 4 a 0, dois gols de Geraldino. No domingo, 1 a 0, gol de Geraldino. Na quarta-feira, marcaram Geraldino, aí Hamilton Melo fez dois e Aroldo um: 3 a 1. Nunca vi isso num clássico”, narra, se referindo sempre em terceira pessoa.  
Mesmo longe, a quase 500 km da capital cearense, Geraldino afirma que tem acompanhado a boa fase do Fortaleza na Série B do Campeonato Brasil e acredita no acesso do clube.  “Acho que com três vitórias ele sobe”, garante o ex-jogador. Com o centenário do clube, o ídolo tricolor confessa seu desejo para o futuro: “quero que o Fortaleza, um dia, seja campeão brasileiro. Não só pela torcida, mas pelo o que me deu. Sou muito grato a isso”, se emociona.
O próprio apelido “Saravá”, que o eternizou no futebol, surgiu no Fortaleza. Durante as concentrações, após descer do quarto, antes de tomar o café-da-manhã, Geraldino se dirigia até o campo de treinamento e olhava para as traves. Ao observá-las, o ex-jogador enxergava as balizas maiores. Dali, tinha um presságio: “Hoje vou fazer gol”. Antes de entrar em campo, contava à imprensa e aos colegas, principalmente aos zagueiros e ao goleiro. “Segura aí atrás, que vou fazer gol hoje”. Logo, a fama se espalhou, até um repórter cravar: “Este homem é um ‘Saravá’”. E ficou. 

Fonte: DN

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