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Economia e Negócios

Leilão deve ampliar concorrência e estimular aviação regional


A nova rodada de concessões de aeroportos brasileiros, que acontece hoje (15), em São Paulo, deve aumentar a concorrência entre os terminais da região Nordeste e ao mesmo tempo estimular a aviação regional. O Aeroporto Orlando Bezerra de Menezes, em Juazeiro do Norte, que está inserido no bloco Nordeste, é uma das apostas para especialistas do setor que o consideram um ativo interessante, com desafios e ganhos, para o novo administrador.
"As empresas que se interessarem pelo bloco Nordeste já fizeram os estudos. Tem aeroportos facilmente rentáveis, como Recife, mas há outros em que vai ter que ser feito um certo esforço. Eu diria que Maceió, João Pessoa e Recife são mais fáceis. Campina Grande me parece um aeroporto mais complicado. E Juazeiro do Norte, que já tem uma ligação muito boa, um turismo religioso consolidado. Então, pode ser que a concessionária venha estimular outras empresas a voar para lá", avalia Cláudio Jorge, professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA).
Segundo o professor, os terminais de Juazeiro do Norte e de Campina Grande, diferentemente dos aeroportos de capitais dos estados, vão merecer um esforço especial das operadoras. "Mas, sem dúvida, a empresa que pegar tudo vai querer desenvolver para que todos sejam rentáveis. Ela vai querer incentivar e fazer valer o dinheiro que ela está gastando ali".
Para o especialista em Direito Aeronáutico André Soutelino, a disputa pelo bloco Nordeste vai ser acirrada. "Mas é claro que, pelo fato do pagamento da outorga ser integral, eu acredito que nós não vamos ter um ágio tão alto. Vai ter competição. A maioria tem um limite, um teto, e quem tiver o maior limite vai levar nessa disputa acirrada", explica o advogado.
Fraport
Soutelino também acredita que, no cenário de a Fraport AG (empresa alemã, administradora do Aeroporto Internacional Pinto Martins, em Fortaleza) arrematar o bloco Nordeste, a companhia pode ter um maior poder de barganha para centralizar determinados voos na região. "O Ceará é um destino muito forte em turismo, mais do que os outros estados do Nordeste. O Ceará já montou todo um cenário propício para a chegada de novos voos, principalmente internacionais, mas Recife, por outro lado, é também um ponto de chegada".
Ao Diário do Nordeste, a presidente da Fraport Brasil, Andreea Pal, admitiu no fim de 2018 que o grupo estuda a nova rodada de concessões. Soutelino avalia que, nesse cenário, a tendência é distribuir a quantidade de voos internacionais entre terminais maiores, como Fortaleza e Recife.
"A Fraport pode tender a direcionar voos para Recife. Vamos supor que a Lufthansa (companhia aérea alemã) resolva voar para o Nordeste. A Fraport pode dizer para ela ir para Recife, porque Fortaleza já tem a Air France e a KLM. Até porque a Azul já está mais instalada em Recife. Ela pode privilegiar as alianças que a companhia já faz parte", analisa Soutelino.
Já o professor Cláudio Jorge avalia que, se a Fraport assumir o bloco Nordeste, todos os aeroportos da região têm a ganhar. "O bolo não é limitado e ele pode crescer para todo mundo. Se a Fraport pegar o bloco, ela já está com a experiência de Fortaleza e ela vai estimular a Azul em Recife, juntamente com os outros aeroportos que são alimentadores. Eu não creio que isso vá tirar passageiros de Fortaleza. Se o trabalho for benfeito, você aumenta o bolo todo e cada um vai ter o seu nível de crescimento", pondera.
Aviação regional
Os dois especialistas concordam que a concessão dos aeroportos nordestinos vai estimular a aviação regional, principalmente no Ceará, onde, a partir de hoje, haverá dois terminais concedidos. "Eu acredito que essa é uma das alternativas que as empresas devem estar analisando, esse estímulo à aviação regional", afirma Cláudio Jorge.
"Claro que a concessão é um passo para o desenvolvimento da aviação regional no Ceará. A concessão no interior será muito boa, porque o concessionário vai querer recuperar o valor que ele investiu e ele vai pedir para ter mais voos para o interior. Juazeiro do Norte, por exemplo, é um lugar atrativo para voos, é um local rentável para as companhias. E para atrair isso, a concessionária vai diminuir as tarifas para elas. A empresa vai ter mais liberdade para negociar as tarifas e vai correr atrás disso para poder resgatar o investimento feito", acrescenta.

Fonte: DN

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