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De topless, Leticia Colin questiona: "Por que homens podem andar sem camisa e nós não?"



Para Leticia, o corpo tem vários significados: é instrumento para concretizar desejos, plataforma de trabalho e de resistência. Em defesa da emancipação feminina, a atriz posou com os seios à mostra para a capa de Marie Claire no ano em que sua carreira explodiu, após interpretar Rosa, em "Segundo Sol". Aceitou nosso convite justamente porque acredita que as liberdades estão ameaçadas pela onda de conservadorismo que tomou o Brasil – e o mundo. Leia trechos de sua entrevista!

Uma equipe inteiramente formada por mulheres cercava Leticia Colin em um estúdio de fotografia na zona oeste de São Paulo, numa sexta-feira de início de novembro, quando o ensaio desta capa foi realizado. Em Marie Claire, é assim que gostamos de trabalhar. A composição da equipe era uma maneira de deixar Leticia à vontade para o topless. Não que ela tenha resistido à proposta de protagonizar uma capa com um nude feminista. Pelo contrário: “Vejo meu corpo como ferramenta de luta”, disse. “Diante do avanço do conservadorismo, posar com os seios à mostra é um jeito de lutar pelas liberdades. No mundo inteiro existem tabus em torno da imagem feminina e leis que interferem nas escolhas que fazemos em relação à ela”, completou. Aqui, sua nudez é ferramenta de empoderamento, não de sedução. A provocação, portanto, nada tinha a ver com erotismo. No mês anterior ao nosso ensaio, Leticia havia feito fotos de lingerie para uma publicação masculina. Ali, optou por não mostrar os seios. Feminista declarada, tem sido há tempos personagem ativa na luta por direitos. Defende a legalização do aborto e, claro, a autonomia de vestir o que quiser. “Nosso corpo deve ser um instrumento de nossas escolhas e desejos. Seios de mulheres não deveriam causar estranhamento. Por que homens podem andar sem camisa e nós não?”
Não é de hoje que ela defende essa bandeira. Ainda na adolescência, colocou um cartaz com os dizeres “Sou um abusador” na porta do consultório de um médico que a molestou durante uma consulta. Aos quase 29 anos (a serem completados no dia 30 deste mês), a atriz enfim desfruta do reconhecimento que busca desde criança. Apesar de trazer consigo um frescor de “rosto novo da TV”, essa paulista de Santo André, no ABC, está na televisão desde os 10, quando estreou em um pequeno papel no seriado Sandy & Júnior, da Globo. Sete novelas, oito séries, sete filmes e dez peças de teatro depois, veio a virada. Escalada para viver a imperatriz Leopoldina em O Novo Mundo, trama das 6 que foi ao ar em 2017, sem querer roubou as atenções da protagonista. Ganhou o público, foi elogiada pela crítica e indicada a prêmios graças à interpretação minuciosa e a um sotaque austríaco impecável.  
Leticia Colin questiona: "Por que os homens podem sair sem camisa e nós, não?" (Foto: Bruna Castanheira/GROUPART)

Conquistou também o autor João Emanuel Carneiro, que deu a ela um dos papéis centrais da novela Segundo Sol: Rosa, uma garota de programa que passava por diversos conflitos de caráter, até chegar ao final feliz. A atriz Nanda Costa, que fez a irmã de Leticia na trama das 9, faz coro. “Às vezes recebia cenas mais difíceis no roteiro e quebrava a cabeça pensando em como executar. Mas se fosse para contracenar com a Lelê, estava tudo certo. Ela tem uma segurança tão grande como atriz, que carrega os parceiros de cena no colo.”
O ator e apresentador Michel Melamed, 42, casado com Letícia há três anos, reconhece na companheira a essência libertária. “Ela é uma mulher livre porque é autêntica. É a mesma pessoa conversando com alguém que conheceu há dez minutos ou com quem já conhece há dez anos”, explica. “Não esconde de ninguém o que pensa, nem quem ela é. Ser assim aberto para o mundo é revolucionário.”

Fonte: G1

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