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Instituto Cultural do Cariri projeta instalação do Museu do Engenho


A chegada do primeiro engenho de cana-de-açúcar no Cariri aconteceu no início do século XVIII. Por quase 300 anos, a economia açucareira foi hegemônica na região, apelidando o Crato de "Cratinho de Açúcar" e compondo também a identidade de Barbalha, a terra dos "Verdes Canaviais".
Hoje, apenas seis estruturas estão ativas nestes dois municípios. Marcante no desenvolvimento local, a história dessa produção, no entanto, será recontada no Museu do Engenho do Cariri, projeto elaborado pelo Instituto Cultural do Cariri (ICC), que já teve verba aprovada através de emenda parlamentar em Brasília (DF).
No Cariri, os engenhos passaram por três fases. A primeira com as moendas movidas pela força hídrica, já que água nas nascentes eram abundantes. Neste sistema, havia três tipos, o "copeiro", "meeiro" e "rasteiro", indicando se a água entrava na roda por cima, pelo meio ou por baixo. Com o desvio do recurso hídrico e escassez, houve investimento na tração de bois. Uma peça no eixo principal e duas catracas se movimentavam junto aos animais. Na época, toda a engenharia era feita de madeira, em parte de jatobá ou pequi.
Depois veio o engenho de ferro, trazido pela família Ferreira de Melo, possivelmente, de Pernambuco. No entanto, quando os bois eram colocados na juntas para mover, se deslocavam com dificuldade e apanhavam muito. O som no engenho de madeira cadenciava o caminhar dos animais, mas no de ferro ouvia-se os "gemidos". Anos depois, a tração animal foi substituída pelo vapor, diesel e eletricidade.
As peças desses engenhos vêm se perdendo com o tempo. A poucos quilômetros da sede de Crato, por exemplo, o Engenho Lagoa Encantada, um dos maiores da região, virou ruínas.
Lá, ocorreu a primeira experiência de mecanização da lavoura de açúcar no Cariri, utilizando um trator de disco, sulcador e cultivador, que pode ser visto ao lado do prédio. Já na Avenida Leão Sampaio (CE-060), entre Barbalha e Juazeiro do Norte, outras estruturas estão expostas nas sucatas. Eles são vendidos para ornamentação de fazendas.
Na tentativa de resgatar parte dessa história, o ICC criou o projeto do Museu do Engenho e entrou em contato com fazendeiros que ainda mantêm peças raras. "O que nos motivou foi a morte dos engenhos artesanais, a desativação da economia açucareira. Mostrar algumas peças, a tecnologia, a memória, as tradições populares e culturais em torno disso", explica Heitor Feitosa, presidente do Instituto.
Alguns exemplares deverão ser doados para o Museu. Um deles é uma caldeira de meados do século XIX, da fábrica Marshall, Sons, & CO., Limited, que foi trazida da Inglaterra para o Crato. A peça representa uma fase posterior à da tração de bois, movida a vapor. Os proprietários se prontificaram em emprestá-la.
Outra peça rara é o engenho de entrosa, que foi uma revolução tecnológica na produção de rapadura e aguardente. O primeiro foi trazido ao Brasil no início do século XVII. Uma família do município de Aiuaba também prometeu cedê-lo ao Instituto.
A expectativa é que o Museu seja instalado no Crato, em um terreno que pertence ao Departamento Estadual de Rodovias (DER), vizinho ao ICC. Um projeto de lei para sua cessão já foi criado e deve ser votado na Assembleia Legislativa. Além disso, uma emenda parlamentar de R$ 300 mil, apresentada pelo ex-deputado federal Antônio Balhmann, foi destinada à sua construção. O recurso seria repassado para a Secretaria de Cultura do Estado (Secult).
No entanto, o projeto esbarra na falta de informações específicas. "Houve uma reunião entre a gente, o deputado Balhmann e o secretário (Fabiano) Piúba. Ficou acordado que a emenda será destinada à Secult, que a executaria", explica Heitor.
Porém, o projeto não foi cadastrado no Sistema de Convênios (Siconv). "O argumento foi que não havia informação suficiente sobre o projeto. Daí, fui até Fortaleza, estive na Secretaria de Cultura e fui atendido por dois funcionários. Eles nos disseram que faltavam informações", lamenta.

Fonte: DN

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