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Ceará

Empreender no Ceará é alternativa de recomeço para imigrantes


Dariana Jimenez, 20, se viu obrigada a largar a faculdade de Administração pela metade para trabalhar e permitir que os irmãos mais novos continuassem estudando. Com a dificuldade de conseguir emprego, a jovem veio da Venezuela para o Brasil apenas um mês depois de completar a maioridade. Escolheu Fortaleza por ser uma cidade parecida com a sua, Maturín, com clima quente, praiana e turística. Teve que pedir dinheiro na rua para conseguir chegar à capital cearense e, ao chegar, tinha apenas R$ 0,30 no bolso.
Sem ter terminado o ensino superior e com dificuldades para se comunicar, Dariana sobreviveu os primeiros dias em Fortaleza apenas da solidariedade dos cearenses. A primeira fonte de renda que conseguiu foi como doméstica. "Trabalhava dia e noite e ganhava muito pouco. Dormia na casa da minha patroa. Do salário, separava só o suficiente pra me manter e enviava o resto para minha família na Venezuela. Meu esposo também conseguiu um emprego como mecânico, mas ganhava por comissão e ele ainda não tinha quase nenhum cliente", conta.
O ingresso no mercado de trabalho brasileiro pode ser complicado e demorado para um estrangeiro. Obrigados a ter uma fonte de renda, eles acabam aceitando vagas fora de suas áreas ou até mesmo empregos informais. Quando nenhuma dessas alternativas se concretiza, o negócio próprio, valendo-se de habilidades diferenciadas dos locais, tem sido a saída. No Ceará, 548 estrangeiros já estão cadastrados como Microempreendedores Individuais (MEI), sendo 352 somente em Fortaleza, de acordo com dados do Portal do Empreendedor.
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Depois de ser dispensada, Dariana começou a vender comida venezuelana perto de casa. Em poucas semanas, o produto deixou de ser novidade. Atualmente, a venezuelana mantém um box de moda masculina e seu marido conseguiu colocar a própria oficina. Desse esforço, eles já conseguiram tirar uma parte da família da Venezuela. "Graças a Deus, tudo está dando certo agora. Minha mãe está trabalhando como costureira e devemos colocar uma lanchonete para ela em breve". "Você tem carro? Se precisar de algum serviço pode falar comigo. Se estiver procurando algum produto masculino também é só passar no meu box", oferece Dariana.
Assistência
Ao chegar em Fortaleza, os imigrantes e refugiados podem receber a primeira assistência já no aeroporto, no Posto Avançado de Atendimento Humanizado ao Migrante. Após o pedido de visto ou de refúgio, os imigrantes devem ir à Superintendência do Trabalho para emitir a Carteira de Trabalho e Previdência Social.
"Chegando na ponta, no Sine/IDT (Sistema Nacional de Emprego/Instituto de Desenvolvimento do Trabalho), ele vai ser cadastrado e atendido como qualquer outro. Mas o que percebemos é que eles têm muito mais dificuldades para conseguir uma vaga, tanto pelo idioma quanto pelo preconceito das empresas", pontua Jidlafe Rodrigues, gerente da unidade do Centro do Sine/IDT.
Aqueles que optarem por abrir um negócio próprio têm de já estar com todo os documentos regularizados antes de procurar o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
"O que eles precisam, mais do que os brasileiros, é conhecer mais a atividade, o local e o público-alvo. Não necessariamente um negócio que dá certo no país de origem deles vai dar aqui. Então, nós os ajudamos a ter um foco maior, a fazer um plano de negócios, até para eles não perderem o investimento que fizerem", detalha Alice Mesquita, articuladora do Sebrae.
Produto exclusivo
O sírio Riad Alnasar, 28, veio ao Brasil para a Copa do Mundo de 2014. Com o agravamento da guerra no seu país, não conseguiu voltar. Realizando pinturas típicas da região arábica em paredes, tetos e caixas, ele deu continuidade ao ofício que já exercia. "Eu coloquei uma loja em São Paulo, depois me mudei para Florianópolis e estou há três meses em Fortaleza. Não passei por tantas dificuldades quantos outros sírios e não me considero um refugiado. Tenho conseguido viver muito bem", revela o artesão Riad Alnasar.

Fonte: DN

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