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Sem receber direitos, demitidos da Avianca Juazeiro relatam dificuldade financeira e ordem de despejo


Cerca de 30 pessoas foram demitidas da empresa em Juazeiro (Foto: Normando Sóracles/Agência Miséria)


Funcionários demitidos da base da Avianca em Juazeiro do Norte procuram meios de receber salários atrasados, homologação e demais direitos após a saída da empresa do Orlando Bezerra em meio a recuperação judicial. Cerca de 30 pessoas foram demitidas e aguardam o desfecho enquanto cogitam acionar a justiça.

Vale-transporte e refeição, os chamados benefícios, começaram a ser atrasados em fevereiro, diz uma ex-funcionária que prefere não se identificar. Ela conta que em março o atraso foi de mais de dez dias até que fosse paga essa parte da remuneração.

Em março ocorreram as primeiras demissões, ainda poucas, concentradas em funcionários que haviam sido contratados no início do ano. Já em maio, o pagamento referente a abril não saiu e até o dia 10 já haviam sido desligados praticamente todos os membros da empresa, ficando apenas dois supervisores.

Após o desligamento, no entanto, colaboradores ainda aguardam a confirmação do pagamento em atraso, benefícios que foram suprimidos e a homologação, através da qual é pago o seguro desemprego e FGTS. Verbas rescisórias também estão pendentes, dizem os demitidos.

Um grupo no WhatsApp foi organizado para que todos os que foram dispensados da Avianca em Juazeiro pudessem decidir o que fazer. Há a possibilidade de entrarem com uma ação conjunta para que, através de um advogado,  sensibilizar a justiça e garantir o pagamento em atraso.

Em conversas internas, estariam sendo informados que o leilão de ativos seria a forma mais segura de garantir o pagamento dos direitos. O leilão aconteceria na terça-feira (7), foi suspenso pela Justiça de São Paulo.

A decisão atende a um pedido feito pela Swissport Brasil, que atua com serviços de logística em aeroportos. A empresa disse ser credora de R$ 17 milhões, e alega que o plano de recuperação judicial da Avianca é baseado na transferência de slots (direitos de pouso e decolagem em certos aeroportos), o que é proibido por lei. A Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) também alegou ser contrária à venda de slots como se fizessem parte do ativo da empresa.

Enquanto o impasse não é resolvido, quem perdeu o emprego em Juazeiro relata que após a demissão sem receber os direitos se vê em sérias dificuldades financeiras. Um e-mail enviado no último dia 20, assinado por uma funcionária demitida e direcionado a um membro da empresa, relata o atraso de contas, ordem de despejo e dificuldades de pagar vencimentos básicos como conta de água e luz.

Até o fechamento desta matéria a Avianca não havia emitido nenhum posicionamento sobre o assunto.


Por Felipe Azevedo/Agência Miséria
Miséria.com.br

Fagner Soares

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