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Ceará

Mais acessível, setor de alimentação saudável se expande no CE


Após entrar no mercado com marmitas congeladas, Juliana Braga e Jade Nobre ampliaram o cardápioFOTO: CAMILA LIMA
O mercado de alimentação saudável segue em contínuo crescimento e tem se tornado mais acessível para os consumidores cearenses nos últimos anos. Para especialistas ligados aos setores de hortifruti e serviços, a alta na produção de alimentos naturais favoreceu a redução nos custos dos produtos, o que também reflete no preço final nos cardápios dos restaurantes.
O ritmo de aumento dos preços de legumes, hortaliças e frutas, por exemplo, desacelerou no primeiro semestre deste ano em comparação ao do ano passado. Segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os preços desses grupos acumulavam uma variação de 53,71%, 7,39% e 20,25% nos primeiros seis meses de 2018, respectivamente. Já em 2019, os legumes registram uma inflação de 33,76%, as hortaliças, de 6,75%, e as frutas, de 6,6%. 
O consumo desses produtos também gerou efeitos positivos no volume de mercadorias vendidas no ano passado pela Central de Abastecimento do Ceará (Ceasa-CE). De acordo com Odálio Girão, analista de mercado do órgão, foram 634 toneladas de alimentos comercializados. Frente ao ano de 2017, houve um crescimento de 1,4% nas vendas, reflexo da maior inclusão de frutas e hortaliças na rotina alimentar da população. 
“Há mais procura por alimentos naturais por conta da questão saudável, o que ocasionou mais diversificação de alimentos pelos produtores. Os consumidores diversificaram seus alimentos na sacola, como brócolis, berinjela e outros itens que não tinham tanta procura”, sinaliza.
Além de mais consciência quanto à alimentação, Girão aponta que os consumidores também estão mais atentos aos preços dos produtos. “Se um alimento fica com preço elevado, ele (o consumidor) se retrai e diminuiu o volume de compra. Ele está mais esperto e vai atrás de promoções, pesquisando e comparando preços, sabendo inclusive os produtos que estão fora de safra”, acrescenta. 
O analista lembra que o consumo inclui também fornecedores de bares, restaurantes e hotéis. “O abastecimento no atacado é repassado aos mercadinhos, supermercados, feiras, restaurantes e hotéis, o crescimento é imenso. Neste ano, nós esperamos um crescimento bem maior do que o do ano passado”, afirma.
Restaurantes
Segundo o diretor executivo da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes no Ceará (Abrasel-CE), Taiene Righetto, o custo para preparar pratos saudáveis hoje é menor que há dois anos. “A produção de alimentos naturais acompanhou o mercado e, consequentemente, aumentou. E isso diminuiu os custos, além de ser um prato que não exige tanto maquinário ou equipamentos caros”, explica. 
Mesmo quem não tem estrutura física para receber clientes passou a produzir pratos com foco em alimentação saudável e vendê-los nas redes sociais ou em aplicativos. “Hoje, nos aplicativos é possível ver mais de 60 opções de pratos (saudáveis)”, comenta.
Righetto aponta ainda que os restaurantes tradicionais têm se adaptado ao mercado para ter mais competitividade. “Temos percebido que muitos restaurantes que não eram exclusivamente voltados para a comida saudável passaram a incluir opções assim também no cardápio”, afirma o diretor.
Iniciativas
Por meio das redes sociais, o restaurante de comida saudável Let’s Fit, começou a realizar entregas por encomendas de marmitas congeladas, em 2016. O negócio prosperou e, após sentir o aumento nas vendas, as sócias e nutricionistas Juliana Braga e Jade Nobre ampliaram o cardápio e passaram a oferecer doces também na linha saudável. 
No ano passado, elas decidiram abrir um estabelecimento. “De cinco anos para cá, sentimos que o mercado cresceu. O ‘boom’ da novidade influenciou isso, tanto que impactou no preço de matéria-prima como o valor que a gente repassa para o cliente”, afirma Jade. A empresa já conta com 14 funcionários e atende em espaço físico e por aplicativos de entrega de comida. 
A empresária pondera, entretanto, que mesmo que o mercado esteja mais acessível para os consumidores, os produtos usados na fabricação dos pratos ainda são mais caros que os tradicionais. No restaurante, os preços variam de acordo com o grupo alimentar: as proteínas partem de R$ 18, os acompanhamentos, de R$ 7 e as saladas, entre R$ 14 e R$ 25. “As pessoas que consomem esse tipo de produto estão dispostas a pagar um pouco mais. É o diferencial desse segmento”, comenta. 
Orgânicos
Há dois anos no mercado, o empresário Rafael Oliveira realizou uma parceria com agricultores familiares da região da Serra de Ibiapaba e do Maciço de Baturité para entregar cestas de alimentos orgânicos para consumidores da Capital, vindas do interior. 
“Nós víamos o mercado de orgânicos como algo crescente, mesmo com a crise no País. Queremos que os orgânicos sejam vendidos a um preço que a maior parte consiga comprar”, afirma o proprietário da empresa Terre Orgânicos. 
Por semana, ele vende em média 50 cestas com frutas, verduras, hortaliças e folhagens, a preços que variam entre R$ 40 e R$ 150. Oliveira afirma ter sido pioneiro no mercado de logística de alimentos orgânicos voltado exclusivamente para o consumidor final. 
“Estamos em uma boa fase. Com essa discussão da liberação de mais agrotóxicos nos alimentos, as pessoas buscaram saber mais sobre os orgânicos”, acrescenta. Ainda neste ano, ele pretende abrir uma loja física para incluir novos produtos aos consumidores.
Um mercado em ascensão para empreender
No País, o segmento de alimentação saudável demonstra potencial. De acordo com o relatório realizado pela plataforma de pesquisas Euromotor, o consumo de alimentos saudáveis cresceu 98% no Brasil e movimenta US$ 35 bilhões por ano. 
Quem deseja apostar no mercado de alimentação saudável deve ter cuidado na hora de investir no próprio negócio. Como em qualquer mercado, é necessário fazer uma pesquisa para entender as características do consumidor. É o que orienta Evelyne Tabosa, analista do Sebrae. “Antes de investir, é importante fazer o plano de negócio para conhecer os concorrentes, fornecedores e, principalmente, o público. É interessante elaborar estratégias para tornar os clientes fidelizados”, pondera. Ela aponta que o nicho não exige tantos recursos financeiros em comparação a outros mercados do ramo alimentício. “Se o empreendedor focar na produção de sanduíches naturais ou restaurantes com o modelo de self service, dá para competir com outros restaurantes de cardápios tradicionais. Mas é importante ter boa qualidade nos alimentos, além de atendimento e divulgação do produto. Para isso, é interessante estudar o mercado para atrair a clientela”, afirma. 
Um estudo do Sebrae também aponta seis modelos de negócio deste segmento em alta: lojas de produtos naturais, restaurantes, refeições prontas, delivery de frutas, food trucks e açougues veganos. Ainda de acordo com a analista, a fabricação de alimentos sem glúten está em alta por conta das pessoas que sofrem da doença celíaca e das que seguem dietas que restringem o consumo do nutriente. Neste caso, a orientação da analista é que o empreendedor invista em uma boa higiene para garantir que os alimentos não percam qualidade. “Esses locais que produzem alimentos sem glúten em uma cozinha onde se manipulam outros alimentos devem buscar orientação para evitar a contaminação”, afirma. Outra alternativa é oferecer produtos veganos nos cardápios tradicionais. Na visão de Evelyne, o número de adeptos desse grupo cresce a cada dia e ainda há poucos estabelecimentos em relação à demanda.

Fonte: DN

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