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Ceará

Propostas podem salvar milhares de vidas todos os anos



Edison Henriques Júnior: profissionais e instituições de saúde precisam continuar trabalhando para modificar a realidade, esclarecendo a população.Ares Soares/Divulgação
Em pleno Revéillon de 2014 para 2015, o professor Edison Henriques Júnior recebeu uma notícia que mudaria sua vida: após ter hepatite por duas vezes, ele estava acometido por uma enfermidade no fígado e a única saída era um transplante. O que parecia uma história triste, na verdade foi um recomeço. “Meu critério Meld era tão alto que fiquei 20 dias na fila. Foi difícil enfrentar o pós-operatório e a readaptação. Eu tinha 100 kg e cheguei a pesar metade. Depois de superar tudo aquilo, pensei que eu deveria dar algo em troca para o mundo, pois ganhei uma nova oportunidade de viver”, conta o docente, professor de Liderança na Pós-Graduação da Universidade de Fortaleza (Unifor). Com esse sentimento, ele se tornou entusiasta do movimento pela doação de órgãos no Brasil. “Além da minha atividade profissional, meu trabalho é mobilizar pessoas e entidades para juntarmos forças em prol dessa causa. Foi na Unifor, em contato com meus alunos, que voltei a me sentir vivo”, afirma.
A partir da experiência como transplantado e aliando o conhecimento profissional em mais de 30 anos na gestão e na consultoria de empresas, Edison Henriques Júnior  passou a estudar o fluxo da doação de órgãos no Brasil, aliando-se a instituições de referência, como a Associação Brasileira de Doadores de Órgãos (ABDO), Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos (ABTO), hospitais de São Paulo e a própria Unifor.
Para ele, um dos pontos principais a serem modificados é a legislação. “É um problema delegar para as famílias a decisão sobre a doação, pois é uma medida que precisa ser tomada quando as pessoas estão carregadas de emoção”, observa o professor da Unifor. “Até 2001, a lei deixava o indivíduo decidir se era doador. Temos que mudar a legislação de novo, porque a sociedade hoje tem força de mobilização e de esclarecimento para chegar até a classe política”, defende.
Logística
Pela proposta de Edison Henriques Júnior, cada pessoa deveria decidir se quer ser doadora. “Essa posição pode ser atestada eletronicamente, via CPF. A informação fica registrada em um banco de dados confiável e disponibilizada para hospitais e entidades médicas. Se o indivíduo vier a falecer, a decisão pela doação se tornaria um procedimento técnico, dentro de um fluxo, pois existem questões logísticas no processo, como o tempo para a retirada do órgão, a qualidade do transporte e o prazo de recebimento pelo doador”, descreve.
Outro ponto a ser trabalhado, pela análise de Edison Henriques Júnior, é o contexto pós-cirúrgico, pois é preciso garantir que o Sistema Único de Saúde (SUS) forneça os imunossupressores para os transplantados. “Essas pessoas não podem ficar sem esse medicamento, pois isso significa a manutenção da vida”, destaca. “Pelos meus estudos, essas modificações podem reduzir em até 20% a fila de espera por um órgão no País, o que depois de um ano, significa que teríamos salvo cerca de 10 mil vidas”, projeta o docente da Unifor, lembrando o triste número de cerca de 34 mil pessoas (março/2019) na expectativa por um transplante no Brasil. “Infelizmente, estima-se que a cada 3 horas uma pessoa morre nessa espera. Os profissionais e as instituições de saúde precisam continuar trabalhando para modificar essa realidade, esclarecendo a população, com o único propósito de salvar vidas”, defende Edison Henriques Júnior.
Seminário
Para debater sobre os avanços e os desafios do transplante de órgãos no Brasil, o Movimento Doe de Coração vai realizar um fórum de discussão, no dia 26 de setembro, das 8h às 12h30, no Auditório da Biblioteca Central da Universidade de Fortaleza. Estarão presentes alguns dos maiores especialistas do assunto no País. “A partir do fórum, vamos elaborar a Carta de Fortaleza, que vai gerar um manifesto, juntando a intenção de pessoas sérias dizendo o que deve ser melhorado. Daí vamos caminhar para um movimento para mudar a lei”, projeta Edison Henriques Júnior. “Eu tive um problema resolvido e quero propor a solução para outras pessoas. Campanhas como a Doe de Coração são importantes para continuar fomentando essa mentalidade e tornar o Ceará uma referência cada vez maior, pois a Unifor é um centro de excelência em termos  de conhecimento no Brasil”, destaca o docente.
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Fonte: DN


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