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Fagner completa 70 anos e ganha musical de presente no Cineteatro São Luiz



Alunos da Fundação Raimundo Fagner ensaiam para apresentação no Cineteatro São LuizFOTO: THIAGO GADELHA
As mãos da pequena Lana Lívia, 11 anos, quando não estão abraçadas ao violão nos ensaios para o espetáculo em homenagem às sete décadas de vida de Raimundo Fagner, tremem demonstrando a ansiedade pela data. No dia 13 de outubro de 2019, ela subirá ao palco do Cineteatro São Luiz pela primeira vez, ao lado de mais 64 integrantes da fundação social idealizada pelo cantor, para apresentar a história dele da forma mais fiel possível: por meio das músicas.
Doze canções, entre letras do homenageado e de parceiros, compõem o repertório do espetáculo "Fagner - O Musical". A orquestra de violões, flauta doce, percussão e couro cênico, comandada pelo maestro Eduardo Júlio Saboya, reúne crianças e jovens, estudantes e professores da Fundação Raimundo Fagner, localizada no Parque Itamaraty, na periferia de Fortaleza.

Aulas de canto e música estão entre as atividades oferecidas pela Fundação Raimundo FagnerFOTO: HELENE SANTOS
Pelo menos três vezes por semana, e mais intensamente nos últimos dois meses, o grupo ensaia ininterruptamente. Enquanto passam a apresentação, revisitam a história daquele que cantou a vida de muitos cearenses, incluindo a própria. "Dividimos o musical em dois momentos: o primeiro retrata o começo da carreira dele, e o segundo vem a partir de 'Mucuripe', quando Fagner ascende, estoura e suas composições viram um boom", destaca o maestro.

Alunos na aula de canto da Fundação Raimundo FagnerFOTO: HELENE SANTOS
O homenageado também participou da escolha de repertório. "Amém, amém", "Cavalo Ferro" e "Jardim dos Animais", por exemplo foram incluídas a pedido de Fagner. "São músicas que ele gosta muito. 'Amém, amém' fez para a mãe, dona Chiquinha, e retrata o momento em que saiu do Ceará e foi para Brasília estudar, no começo dos anos 1970", reconstrói o maestro Eduardo.

ESCOLHAS

Cada integrante da orquestra tem uma música predileta, seja pela facilidade em tocar e cantar ou mesmo pela mensagem que transmite. Lana Lívia prefere "Vaca estrela, Boi Fubá", letra de Patativa do Assaré cantada por Fagner, porque o arranjo para o violão é mais simples. Já Dayse Grasiele, 9 anos, do coral, gosta mesmo é de "Pedras que cantam", composição de Dominguinhos e Fausto Nilo que dá nome a um disco do aniversariante de 1991, considerada uma das mais animadas pela garota.

Lana Lívia se prepara para a estreia no palco com o cantorFOTO: HELENE SANTOS
"Borbulhas de amor" é a favorita de Patrícia Vitória, 14, única menina na percussão da orquestra. "Eu gosto de tocar essa porque as estrofes são bem legais e cantando fica bem bonito", explica ela, que não nega ser uma das mais agitadas do grupo.
A professora de canto-coral Renata Alves, 27, que começou na fundação como aluna, poucos meses após a abertura do projeto em Fortaleza, em 2003, também elege sua preferida. "Mucuripe é uma música muito profunda... Sempre que me chamam para cantar nos festivais, eu a escolho", destaca.


Dayse Grasiele com a professora Renata Alves, ex-aluna do projetoFOTO: HELENE SANTOS
Os favoritismos dos integrantes da orquestra por canções diferentes não comprometem o todo, pelo contrário, ressaltam as riquezas individuais de cada música por meio da entrega daqueles que as interpretam ao longo de 50 minutos.
"Esse musical é o marco da fundação. A gente nunca fez nenhuma homenagem a Fagner, assim, num espetáculo de grande porte. É gerada uma expectativa muito grande, um turbilhão de sentimentos, me vejo muito nos meninos", observa a professora Renata, que um dia sentiu o mesmo frio na barriga e tremedeira nas mãos que os pequenos músicos demonstram agora diante desse desafio.
A cidade de Orós, berço da família materna de Fagner, que abriga a sede pioneira da fundação do cantor, é outra que estará em festa no domingo (13). Com a regência do maestro Raimundo Nonato, coordenador do núcleo musical, os estudantes de lá vão apresentar o Concerto para os Oroenses, às 19 horas, na Praça Matriz.

PARTICIPAÇÃO ESPECIAL

A responsabilidade em Fortaleza aumenta quando os garotos lembram que Fagner estará no palco e fará uma apresentação especial após a deles. Muitos ainda não tiveram a oportunidade de ver e ainda menos de conversar com o músico, o que torna a ocasião ainda mais única. Se tiver como parabenizá-lo pessoalmente, Davi Lima, 15, que toca flauta baixo, vai desejá-lo "muitos anos de vida e que sua carreira vá até um pouco mais de sua idade".

Prestes a completar 70 anos, Fagner escolheu celebrar a data com integrantes do seu projeto socialFOTO: FABIANE DE PAULA
Ruan Félix, 14, da percussão, não hesitaria em dizer a importância que o cantor tem em sua vida. "Sem o Fagner, não existia nem essa fundação nem música para mim", acredita. Já a elétrica Patrícia Vitória reconhece no cearense "um guerreiro realizando seus sonhos" e espera traçar para si uma trajetória semelhante a dele.
Quando era mais jovem, Raimundo Fagner realmente sonhou. E o Cineteatro São Luiz foi o cenário. Queria entrar lá no dia da inauguração do equipamento, em 26 de março de 1958, e assistir o filme "Anastácia, a princesa esquecida", do diretor ucraniano Anatole Litvak. Porém, não tinha o traje exigido.
Em 2016, quase 60 anos depois do acontecido, decidiu comemorar seu aniversário no local. E agora, em 2019, reforça mais uma vez como o mundo dá voltas, entrando pela porta da frente para assistir ao musical em que ele é o protagonista.

SERVIÇO

"Fagner - O musical"
Dia 13 de outubro de 2019, às 18h, no Cineteatro São Luiz (Rua Major Facundo, 500 - Centro). Ingressos esgotados. A entrada no dia do espetáculo se dará com o bilhete distribuído gratuitamente na última terça (8) mais uma lata de leite em pó, que será revertida para projetos da fundação social. Na data do espetáculo, um telão de led transmitirá simultaneamente o evento. Em Orós, apresentação dos garotos da Fundação às 19h, na principal Praça Matriz da cidade. Gratuito.

Fonte: DN

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