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Municípios do interior do Ceará mostram potencial de crescimento



Em Juazeiro do Norte, o maior crescimento previsto para 2020 é no segmento imobiliárioFoto: Antonio Rodrigues
Produto Interno Bruto (PIB) per capita do interior do Estado (R$ 11.021,02) não chega à metade da Região Metropolitana de Fortaleza, que é de R$ 22.985,18, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística de (IBGE) de 2017.
Apesar dessa distância, nos últimos sete anos, o órgão tem identificado desconcentração de riquezas. A criação de universidades, ampliação da malha viária e investimentos em matriz energética são algumas das iniciativas que conferem boa perspectiva para alguns municípios.
A evolução do interior começa pelo crescimento na fatia dos empregos formais, que saltou de 43,80% (623,6 mil), em 2012, para 47,23% (691,8 mil), em 2017. No ano passado, cresceu um pouco mais, oscilando positivamente para 47,79% (703,2 mil). Com isso, o interior do Estado registrou, em 2018, uma participação recorde no total de empregos formais no Estado do Ceará.
Os dados são do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará (Ipece). Segundo o analista de políticas públicas do órgão, Daniel Suliano, o interior tem mostrado evolução, embora ainda tímida. "O entorno da Região Metropolitana de Fortaleza ainda é dominante. Em algumas cidades como Juazeiro do Norte e Sobral, a gente vai ter resultados mais consolidados. O primeiro é um município que, ao longo dos anos, tem sido destaque, com maior participação no PIB", explica.
Este crescimento, no entanto, não está polarizado nestas duas cidades. Pereiro, na região do Cariri, tem se destacado. Em 2002, ocupava apenas 99ª posição no PIB estadual. Quinze anos depois, saltou para a 9ª posição no ranking. Este crescimento se deu pela instalação de serviços de informação e tecnologia, que atendem inclusive ao Rio Grande do Norte.
Outra cidade que tem mostrado evolução nos últimos anos é Itarema, no litoral Norte do Estado, que passou a integrar o grupo dos principais municípios industriais do Ceará, com 1,53% do Valor Adicionado total da indústria.
O salto também aconteceu no PIB. Em 2002, a cidade ocupava a 42ª posição e, em 2017, pulou para 10ª. Antes, a economia local era baseada apenas na agricultura e aquicultura, com destaque para produção de peixe, camarão e lagosta. Porém, o analista de políticas públicas do Ipece acredita que o crescimento de Itarema, nos últimos anos, está ligado à mudança de outras matrizes de energia, com a instalação de parques eólicos.
"O Ceará está em processo de mudança na matriz energética. Energia limpa, eólica e solar. O interior tem essa potencialidade. Grande parte do sertão tem potencial para energia solar. Haveria possibilidade de ganhar este protagonismo com esse olhar sob a energia", reforça Daniel.
Caminhos
Outro caminho de crescimento é pelo setor agropecuário. Missão Velha, no Cariri, ocupou o primeiro lugar, em 2017, com 4,21% na participação do Valor Adicionado Bruto (VAB) do Estado. Em 2002, ocupava apenas 60º lugar. O salto deveu-se à produção de banana, que elevou o município ao posto de 12º maior produtor do Brasil.
Daniel acredita que a conclusão do projeto da Ferrovia Transnordestina, que teve obras retomada neste ano, e inclusive passa pelo município, pode provocar um novo ciclo de crescimento.
"Os caminhos de escoamento dão, se tiver uma atividade produtiva, condições de vender para fora", pontua. A vocação também se dá em outras atividades, como a produção de tomate e de feijão.
O presidente da Associação dos Municípios e Prefeitos do Estado do Ceara (Aprece), Nilson Diniz, concorda com a análise de Daniel Suliano e reforça que a Transnordestina será muito importante para os municípios do sertão.
Diniz ressalta ainda que é preciso aumentar os recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) para os entes menores. "Tem a reforma tributária e o novo Pacto Federativo para definir para ano que vem. Duas pautas importantes. Teremos o julgamento da liminar sobre os royalties. São mais de R$ 6 bilhões de recursos para os municípios", resume, ao avaliar que 2020 pode ser um ano promissor para o interior do Estado.
Em Juazeiro do Norte, município com a terceira maior participação no PIB do Estado (3,92%), essa projeção de crescimento é contínua. Para 2020, a queda da taxa Selic traz uma projeção de crescimento de 15% no setor imobiliário no primeiro semestre, segundo o Conselho Regional de Corretores de Imóveis.
Desafio
Apesar das boas projeções, o crescimento poderia ser mais robusto. Um dos obstáculos para o amplo desenvolvimento dos municípios ainda é o nível de escolaridade. "Boa parte do capital humano está concentrada na RMF e também no Cariri e Sobral", reforça Nilson Diniz.
Aos poucos, o cenário foi mudando com a implantação de campus avançado da Universidade Federal do Ceará (UFC), no interior, e a criação da Universidade Federal do Cariri (UFCA) que, no seu projeto, instalou campus em Brejo Santo e Icó. Em Iguatu, na região Centro-Sul, em outubro deste ano, foi aprovada a concepção do primeiro curso de Medicina do município.

Fonte: DN

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