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Ceará é vice-líder em competitividade no NE, segundo empresários



Operação do Porto do Pecém e conectividade aérea dinamizam mercado no CearáFoto: Carlos Marlon
Com localização geográfica considerada estratégica pela proximidade com Estados Unidos e Europa, além de se destacar pela conectividade da malha aérea e pela operação do Porto do Pecém, o Ceará parece concentrar algumas das melhores oportunidades de negócios para 2020. É o que revela pesquisa realizada pela American Chamber of Commerce - ou Câmara Americana de Comércio (Amcham-Brasil).
Conforme a publicação, o Estado foi listado pelo empresariado do Nordeste como o segundo mais competitivo da região, com 30% das respostas, atrás apenas de Pernambuco, considerado liderança em competitividade por 46% dos entrevistados.
Além dos estados do Ceará e de Pernambuco, integram a "quadra" de competitividade da região a Bahia, vista como o mais competitivo por 22% do empresariado entrevistado, e o Rio Grande do Norte, que aparece no levantamento com 1% das respostas.
Na avaliação da superintendente da região Nordeste da Amcham Brasil, Alessandra Andrade, Ceará e Pernambuco não ficam tão consideravelmente afastados em competitividade. "Eu, realmente, vejo que ambos são bastante próximos, organizados e contam com boas políticas de incentivo. Os dois estados têm portos de grande porte e uma malha aérea interessante", aponta.
Para ela, o Ceará, assim como Pernambuco, também se destaca quanto à disponibilidade tecnológica. "Ambos possuem grandes centros de tecnologia, existe um trabalho muito avançado no Ceará nesse sentido. Essas vantagens colocam o Estado à frente, em destaque no Nordeste, sendo reconhecido pelos participantes da pesquisa", detalha Alessandra.
De acordo com a análise do presidente do Conselho Regional de Economia do Ceará (Corecon-CE), Ricardo Coimbra, a economia do Estado ao longo dos últimos anos se tornou mais atraente aos olhos dos investidores. "O Ceará possui uma boa capacidade de organização das contas, gerando uma potencialidade para atrair parceiros", explica, mencionando também os investimentos no Complexo Industrial e Portuário do Pecém (Cipp) e a expansão da malha aérea local.
"O Estado vem trabalhando na infraestrutura, mostrando uma saúde financeira com perspectiva de capacidade de investimento a médio e longo prazos. Esse conjunto vem fazendo com que o Ceará seja, na região, mais competitivo", detalha.
Coimbra pondera, entretanto, que Pernambuco iniciou esse processo de fortalecimento da infraestrutura há mais tempo. "O Ceará vai tentando reduzir a distância. É um processo lento e gradual e o Estado vai conquistando espaço à medida que consegue mostrar um parque produtivo. Em Pernambuco, isso já é mais consolidado", explica o economista. "A gente vem tirando esse atraso e é preciso continuar no mesmo ritmo para igualar ou quem sabe superar (o Estado vizinho) daqui a uns anos".
O levantamento da AmCham Brasil considerou as opiniões de CEOs, presidentes, vice-presidentes e sócios, além de diretores, gerentes, coordenadores, supervisores, entre outros cargos em companhias na região Nordeste.
A maioria dos empresários é de setores de serviços (53%); tecnologia da informação (16%) e indústria (13%).
Ao opinar sobre as principais vantagens competitivas do Nordeste ante as outras regiões do País, o empresariado apontou a existência de centros de tecnologia como a principal delas (31%). A localização geográfica favorável pela proximidade com os Estados Unidos e com países da Europa também é vista com bons olhos e apontada como a segunda principal vantagem da região (28%).
Em seguida, os empresários elencaram tópicos como facilidades logísticas (19%) e os incentivos fiscais oferecidos pelos governos (12%). A mão de obra qualificada também foi apontada por 10% dos consultados.
Considerando a competitividade do Nordeste como um todo na comparação com partes do País, a maior parte assinalou a região como proporcionalmente competitiva (46%).
Outros 43% consideraram o Nordeste pouco competitivo em relação às demais regiões do Brasil. Apenas 10% veem a região como muito competitiva ante as outras.
Alessandra Andrade frisa que, diante desses números, há espaço para mudar o cenário. "Quase metade dos empresários considera o Nordeste ainda pouco competitivo, então existe aí uma oportunidade de pensar em como destravar esse crescimento, em políticas para a região", explica a superintendente da Amcham-Brasil para o Nordeste.
Ainda de acordo com o levantamento, as empresas estão interessadas em expandir operacionalmente na região (35%), em apostar em pesquisa e desenvolvimento de novos produtos e serviços (23%), além de melhorar a produtividade e os processos dos negócios (18%). "O foco dos empresários que participaram da pesquisa é priorizar o crescimento em investimento, pesquisa e produtividade em 2020. Isso mostra pra gente um olhar otimista dos empresários em relação à região", conta Alessandra.
Reforma tributária
Entre as mudanças avaliadas como mais importantes para destravar o crescimento regional, a reforma tributária foi apontada como a principal (51%). Em seguida, aparecem o programa de privatizações e concessões (18%), o Marco Regulatório de Ciência, Tecnologia e Inovação (13%), o Marco do Saneamento (9%) e a reforma administrativa, apontado por 7% dos entrevistados.
Em relação à expectativa de crescimento para o Nordeste em 2020, 46% das lideranças responderam que acreditam em uma economia crescendo em linha com a expectativa para o Produto Interno Bruto (PIB) nacional, que na época do levantamento havia sido estimado em 2,17% pelo Boletim Focus, do Banco Central. Outros 33% apostam em uma atividade mais robusta este ano, acima da expectativa do mercado para o País. Em contrapartida, 20% avaliam que a economia vai crescer menos que o PIB nacional neste ano.

Fonte: DN

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