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Ciências e Saúde

O estresse dos médicos responsáveis por pacientes idosos



Já tratei inúmeras vezes, nesse espaço, sobre o estresse que acompanha os cuidadores de idosos. Amigos, familiares ou empregados têm que lidar com doenças crônicas que às vezes são de difícil manejo e assistir ao progressivo declínio de um ente querido. Um estudo recém-lançado joga luz em outro problema: a carga que acompanha os médicos que atendem pacientes mais velhos e que pode levar a um quadro de depressão e de esgotamento profissional – a chamada síndrome de burnout.
A enfermeira Lucia Wocial e a médica Alexia Torke, responsáveis pelo estudo  — Foto: Divulgação: Regenstrief InstituteA enfermeira Lucia Wocial e a médica Alexia Torke, responsáveis pelo estudo  — Foto: Divulgação: Regenstrief Institute
A enfermeira Lucia Wocial e a médica Alexia Torke, responsáveis pelo estudo — Foto: Divulgação: Regenstrief Institute
Pesquisadores do Regenstrief Institute, que pertence à faculdade de medicina da Universidade de Indiana, divulgaram um trabalho que mostra que quatro em cada dez médicos que têm que tomar decisões delicadas relacionadas ao paciente idoso sofrem com o estresse da situação. No Brasil, o procurador de saúde é normalmente um parente próximo ou amigo que fica encarregado de fazer valer as vontades do indivíduo no fim de sua trajetória. No entanto, se a pessoa não registrou suas diretivas antecipadas de vontade ou seu testamento vital, e não há quem o represente, esse papel caberá ao profissional de saúde.
O estudo chama de “angústia moral” a experiência emocional na qual o profissional se vê às voltas com deliberações em condições adversas e que podem até ir contra suas crenças. Idosos internados que tenham comprometimento cognitivo ficam na dependência de decisões de seus familiares e da equipe médica, sendo que a mais difícil é a de descontinuar procedimentos de suporte de vida.
“Tomar decisões no lugar de pacientes que não podem participar do processo é algo duro para qualquer pessoa, com probabilidade de levar o médico a um forte estresse”, declarou a médica Alexia Torke, autora sênior do trabalho e professora de geriatria da universidade. De acordo com os pesquisadores, os mais jovens são os que sofrem o maior impacto.
Para atenuar o problema, o ideal seria que houvesse uma boa comunicação entre a equipe e os procuradores de saúde do paciente, para que todos se apoiassem. E, principalmente, que cada indivíduo pudesse registrar e compartilhar suas vontades enquanto está capacitado para expressar seus desejos. Esse blog abordou as diretivas antecipadas de vontade em mais de uma ocasião e repete: todo mundo deveria fazer o seu testamento vital.

Fonte: G1

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